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“E agora que já defini a prova e escolhi um parceiro, que material devo preparar para cortar a linha de chegada?” Aqui coloca-se um grande ponto, uma vez que a situação do material vai desde a bicicleta, passa pelos sapatos e equipamentos, pelos materiais de apoio ao campismo e termina nas peças suplentes que se podem levar.3 ::: O EQUIPAMENTO A bicicleta. Rígida ou Suspensão Total?
Nos dias de hoje e quando já sabemos que se podem ganhar provas desta natureza em bicicletas de suspensão total, como foi o caso da vitória de uma Scott Genius na La Ruta e da Cannondale Scalpel no Cape Epic, porque devo levar uma bicicleta em detrimento de outra? A escolha da bicicleta passa por três pontos-chave: conforto, peso e manutenção. Neste momento a evolução das suspensões totais e dos seus sistemas inteligentes ou de bloqueio permitem que a energia da pedalada seja transformada em tracção e quase nada se perde. Assim, hoje, quando penso numa suspensão total, o que me vem logo à cabeça é o conforto, que é muito importante quando vamos passar muitas horas na bicicleta durante vários dias. Claro que também sei que os sistemas de suspensão total tornam uma bicicleta mais pesada, pelo facto de terem mais material, material esse que quase sempre se traduz em mais partes móveis que aumentam a probabilidade de sucederem problemas que podem ser mais complicados de solucionar.
Quando no entanto pensamos em quadros rígidos, sabemos que com o mesmo nível de equipamento este será sempre mais leve do que uma suspensão total. Dou o exemplo da diferença entre uma Scott Spark 15 e uma Scott Scale 15, onde para o mesmo nível de material temos cerca de 900 gramas de peso extra na primeira. E quando se trata de subir e de pedalar durante vários dias 0,9 kg são de facto peso extra que se pode evitar. Por outro lado as rígidas têm uma manutenção mais simples devido à estrutura com menos pontos móveis.
DICA DE JOÃO MARINHO “Eu prefiro as rígidas porque continuam a ser as mais leves e as que requerem menos manutenção, pois não há rolamentos nem amortecedores para dar problemas. E quando se está numa prova destas longe de casa nem sempre há possibilidade de levarmos peças suplentes ou a assistência em prova consegue resolver os problemas. DICA DE NUNO MACHADO “Acho que nunca vamos saber se o melhor é o quadro rígido ou a suspensão total, mas o importante é definir o mais cedo possível que bicicleta vamos usar para que a maioria dos treinos seja realizado na bicicleta que nos vai acompanhar na prova, para nos familiarizarmos com toda a dinâmica da bicicleta e conseguirmos colocar tudo ao nosso gosto.” Depois de escolhida a bicicleta vem toda a gama de componentes que lhe podemos anexar, como é o caso do selim, do guiador, dos “bar-ends”, transmissão, rodas, pneus, etc.
O SELIM Nas provas épicas é normal que se passe entre cinco a oito horas por dia em cima do selim e o conforto é primordial, pois as lesões que podem surgir pela utilização de um mau selim podem tornar a prova muito dura ou até mesmo obrigar ao abandono. Existem no mercado vários formatos de selim e no TEAM M&M o que utilizamos é o Specialized Phenom SL com abertura no meio, que evita a pressão na zona prostática. Mas a verdade é que cada um deve utilizar o selim em que se sente confortável e não o deve alterar quando a prova se aproxima.
OS PNEUS Muitas vezes temos discutido este factor, mas parece-me que cada vez mais a escolha de pneus para estes eventos deve recair nos Tubeless. A verdade é que durante as várias provas por etapas que já realizei apenas furei uma vez e uma outra rasguei um pneu de lado com uma chapa. E durante todo o Cape Epic de 2008 não ocorreu nenhum furo no TEAM M&M. Quanto aos pneus com câmara-de-ar relembro também o Cape Epic deste ano em que a equipa da Venezuela furou sete vezes no mesmo dia.
E hoje facilmente se transformam umas rodas normais em rodas “tubeless” através da aplicação de kits como o da DT Swiss, Joe´s No Flat ou o da Specialized sem custos elevados. Um pneu Tubeless deve andar sempre “equipado” com um bom líquido vedante “vulgo anti-furo” que deve ser colocado no dia anterior ao início da prova. Outro dos pontos relacionados com os pneus prende-se com a largura e tipo de piso que estes devem ter. Mais uma vez estamos num ponto onde não existe consenso. Existe quem use 1.95, como foi o caso do Team Amarante/Bike Zone no Cape Epic, ao mesmo tempo que a escolha da RBikes Ota foi para uns mais volumosos 2.1.
DICA DE RUI PANCADARES “Para mim o pneu tem de ser Tubeless com líquido vedante e uma dimensão acima dos 2.0 para fazerem balão. Este tipo de pneus permite rolar com pressões mais baixas, o que faz com que, sendo este o ponto de contacto entre a bicicleta e o terreno, muitas irregularidades sejam absorvidas pelo pneu, tornando as jornadas um pouco mais confortáveis e sem se perder velocidade. Outro truque que costumamos utilizar é a meio da prova (quarto ou quinto dia) colocar um pouco mais de líquido vedante dentro dos pneus.”
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