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O teu maior desafio

Texto: Nuno Machado – TEAM M&M  |  Fotos: BIKE Magazine, Nuno Machado e Absa Cape Epic

ImageNos dias de hoje existem cada vez mais maratonas e provas de BTT de longa distância onde colocamos à prova as nossas capacidades físicas e psicológicas. Mas a verdade é que pelos vistos as provas de 100 km começam a não ser suficientes para que os bikers nacionais testem os seus limites, e começamos à procura de mais quilómetros e de preferência em mais do que um dia. Hoje já começamos a ver em Portugal provas com classificação e com mais quilómetros do que os típicos 100 km, como é o caso do SRP160, onde todos os participantes subiram a fasquia dos seus limites.

No outro extremo dos eventos de longa distância estão as tão afamadas provas por etapas, onde em Portugal a TRANSPORTUGAL GARMIN foi pioneira no inicio com 1200 km em 11 dias e agora num novo formato de 1000 km em oito dias, mas onde já aparecem outras como o G200 e a Via Nova Race a obrigarem a mais que um dia de esforço. Em Portugal o fenómeno alarga-se às travessias de cariz lúdico e a Travessia de Portugal, o TransAlgarve, a Travessia das Montanhas, a Travessia Gerês/Xurés e a Rota das Aldeias Históricas, são alguns exemplos de viagens recreativas onde, ao longo de vários dias, vamos colocando a nossa força física e perseverança à prova.

Também pelo mundo fora as provas por etapas, também chamadas de provas épicas, vão tomando um papel cada vez mais importante e não é estranho ver-se os melhores atletas do mundo a competirem pelos primeiros lugares de provas como o Cape Epic, Trans Rockies, TransAlp, La Ruta de los Conquistadores ou Crocodile Trophy. Recordo as vitórias do Thomas Friscknechkt na La Ruta, do Cristoph Sauser no Cape Epic e do Team Bulls no TransAlp e no Cape Epic no mesmo ano. Mas sei, por experiência própria, que mais de metade dos participantes nestes eventos têm como principal objectivo completar a totalidade das etapas no menor período de tempo possível, sabendo que nunca terão possibilidade de ganhar a prova.

Neste contexto de desafios mais duros surgem também em Portugal cada vez mais entusiastas destas provas e não é de estranhar ver atletas nacionais a solo ou em duplas a fazerem boas prestações em eventos como o Cape Epic de 2008 onde os atletas Nuno Machado e André Malha, Rui Pancadares e David Ventura, João Marinho e José Silva, Pedro Capela e António Bendito, concluíram a edição mais dura de sempre.
Neste artigo e em próximos, vamos tentar passar a experiência de alguns dos atletas nacionais que optaram por este tipo de provas para que tu possas desde já começar a preparar os eventos onde vais participar. A primeira grande pergunta que devemos fazer é sem dúvida:

1 ::: “A QUE PROVA QUERO IR?”

A resposta que dermos a esta pergunta irá condicionar todos os temas que podemos vir a falar, como o treino, a nutrição, o parceiro, a bicicleta, o material, o equipamento. A verdade é que a prova que escolhermos será de facto o “motor” para todas as tomadas de decisão futuras. Será igual treinar para uma prova onde se anda em plano durante centenas de quilómetros ou para uma em que por dia subimos por vezes mais de 20 km seguidos e depois de descermos voltamos a subir mais 20 km? Será igual preparar uma prova em Abril na África do Sul ou uma prova no Canadá em Setembro.

Assim e com o intuito de fazer da nossa prova uma experiência válida, damos algumas dicas e aspectos a ter em conta para a escolha da prova a efectuar:
- Ter em atenção o período de abertura de inscrições para as provas que quase sempre começam com nove meses de antecedência e às vezes esgotam rapidamente.

Definir o período do ano em que queremos fazer a prova e compreender o clima da zona durante esse período. Ex.: As provas que durante o nosso inverno se desenrolam no Hemisfério Sul podem ser violentas a nível de temperatura. Como é o caso do Cape Epic que ocorre no final do Verão na África do Sul e onde as temperaturas podem chegar facilmente aos 40ºC quando em Portugal estamos no final do Inverno e com o termómetro a oscilar entre os 10ºC e os 20ºC.

Perceber em que terreno somos mais fortes (subida, singletrack, a rolar, etc.) para definirmos o tipo de prova a que devemos ir. Ex.: Se não gostarmos de singletracks e terrenos técnicos talvez o Transrockies não seja a prova mais indicada.

Ter em atenção o nível de custos de cada prova por questões de deslocação.

Ter em conta o número de dias disponíveis para efectuar a prova

A adaptação às provas em que as dormidas são feitas em acampamento