|
Página 1 de 4 Texto: Gonçalo Ramalho | Fotos: Miguel Bessa | Rider: Gonçalo Ramalho .jpg)
Nos últimos anos a Massi tem vindo a sofrer uma evolução considerável a vários níveis e recentemente a estética e o grafismo viram uma súbita melhoria.
Esta Casta Green Expert não é excepção e aquele comentário tipico de “é pena a decoração ser tão pobre...” deixou de fazer sentido em relação a algumas Massi.
O novo look acompanha novas soluções de construção. Este quadro com a estranha (pelo menos para nós) designação Casta não deve muito em termos de acabamentos face a algumas marcas europeias ou norte-americanas bem cotadas neste domínio, sobretudo a nível das junções entre tubos onde a transição de um para outro quase imperceptível nos faz lembrar que a Cannondale era, há uns anos, das poucas marcas que o faziam. De resto segue as tendências actuais que não são de desprezar como o tubo superior hidroformado, as escoras onduladas, a extremidade dianteira (testa e sua junção com os outros dois tubos) com uma configuração alongada e estruturalmente mais robusta, entre outros detalhes mais discretos.
Três características marcantes
Tal como na maioria das hardtail de alumínio, aqui não há grandes surpresas nem segredos por revelar. Depois de veres o quadro, a sua geometria e tipo de construção, de conheceres o equipamento e o peso do conjunto – algo que fazemos antes de a pôr no terreno – consegues, com alguma margem de erro, imaginar o tipo de comportamento da bike (nas suspensões totais obviamente que isto não funciona).
Mas há sempre aspectos determinantes que se revelam apenas depois de te sentares nela e martelares os pedais durante algumas horas passando entretanto por raízes, trilhos rochosos, secções técnicas, estradões e tudo o que se encontra nos trilhos. E esta Casta não foi excepção. Durante algumas semanas andou connosco em terreno não muito exigente – maioritariamente em Monsanto e Sintra – em condições secas, húmidas e molhadas, o que levou a três conclusões óbvias: tem uma traseira seca que não absorve grande coisa, a sua direcção é francamente nervosa e, por último, estes pneus funcionam bem apenas com terreno seco. Dito isto, analisemos o motivo de cada um destes factos. A traseira seca não espanta quando temos um quadro rígido de aluminio com um espigão no mesmo material.
Depois para não ajudar à festa, tens um selim bem rijo ao estilo XC puro e não tens pneus tubeless para ao menos poderes rolar com menos pressão. O segundo ponto - a direcção nervosa - torna-se ainda mais notório depois de ter andado com uma bike que tinha um avanço curto montado e que me encaixava na perfeição. Esta bike está catalogada para um uso XC puro, por um lado, mas todos sabemos que, na realidade, não tem trunfos suficientes para alinhar nas primeiras filas de partida dos circuitos de XC, montada por quem precisa de uma dianteira baixa e de um avanço longo para a roda não descolar nas subidas íngremes.
Portanto, se vais andar mairitariamente em terrenos com uma orografia moderada e não te vais inscrever na Taça, estás também mais interessado em manter algum conforto e melhorar o controlo da bike nas secções divertidas dos trilhos. Isso implica reduzir a distância entre a testa e o guiador ao mesmo tempo que tornas a tua posição menos horizontal. Na prática isto significaria um avanço mais curto e com um maior ângulo - o que podes vir a fazer sem grande despesa.
Por último, os veteranos Hutchinson Python são conhecidos pela sua polivalência... mas sempre em terreno seco. A boa notícia é que destas três fraquezas duas delas resolvem-se facilmente, já o problema da traseira seca pode ser apenas parcialmente resolvido com um selim mais confortável e com menos pressão no pneu.
<< Início < Pág. Anterior | 1 2 3 4 | Pág. Seguinte > Final >> |